2 de Outubro
De noite, em minha cama
"De noite, em minha cama, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei." — Cânticos 3.1
Detém-te, minha alma, neste relato que a igreja dá de si mesma, e vê se tais são as tuas experiências. É de fato noite na alma sempre que Cristo está ausente, ou que a sua presença não é desfrutada. E, embora — bendito seja Deus — a parte do crente em Cristo não varie, a sua alegria na sensação de segurança nem sempre é a mesma. Seja leito de aflição ou leito de doença, não é o leito da segurança carnal quando a alma busca Jesus. Não se pode dizer que estamos num estado frio, sem vida e indiferente enquanto Jesus é buscado.
Pode ser de fato noite, pode ser um tempo escuro; ainda assim, quando podemos dizer: "Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te", certamente esse ardor implica graça, amor e desejo em exercício vivo. Por mais monótonas, apagadas e sem proveito que às vezes pareçam as ordenanças e os meios de graça, a graça, como a brasa viva debaixo das cinzas, não se apagou nem se extinguiu. "Aquele a quem ama a minha alma" muitas vezes irrompe e mostra claramente que Jesus ainda vive e reina dentro de nós. Ah, precioso Senhor, tu continuas sendo o amável, o principal, "o primeiro entre dez mil". Sê tu o tudo em todos, a esperança da glória.