9 de Julho
Ele não lhe respondeu palavra
"Mas ele não lhe respondeu palavra." — Mateus 15.23
Repara, minha alma, neste traço do procedimento do teu Redentor para com a pobre mulher que tanto tempo e com tanto empenho lhe suplicou: "Ele não lhe respondeu palavra." E, no entanto, pelo fim da história, nada pode ser mais evidente do que o fato de que o Senhor tinha decidido não só atender ao pedido dela, mas pôr nas mãos dela as rédeas do governo sobre o seu caso de modo tão completo que seria como ela quisesse: "Seja isso feito para contigo como tu desejas."
Aprende daqui, então, como interpretar o silêncio diante do trono em cada ocasião tua. Em toda providência escura, em toda dispensação da graça, nunca te esqueças de que o amor de Jesus é o mesmo. Que importa que ele não responda palavra? Todo o seu coração está voltado para os seus remidos. Quaisquer que sejam as ameaças nas coisas exteriores, não pode haver nenhuma no que diz respeito à verdadeira felicidade do seu povo. Jesus pode provar, como no caso desta pobre mulher, as graças que dá. A fé pode ser posta em grande aperto, e o silêncio diante do trono pode tornar a tentação e as provações de todo tipo mais agudas e dolorosas. Mas Jesus é o mesmo, o seu amor é o mesmo, os méritos e a eficácia do seu sangue e da sua justiça são os mesmos. Estes falam por ti, minha alma, quando talvez não falem a ti. Este é um pensamento precioso; nunca o esqueças.
E lembra-te, além disso, de que as misericórdias da aliança não dependem dos nossos merecimentos. A livre graça de Deus em Cristo não depende da vontade nem do valor do homem, conforme a bela descrição que o profeta faz da chuva ou do orvalho do céu, "que não espera pelo homem, nem aguarda a filhos de homens". De agora em diante, portanto, minha alma, aprende a esperar diante do propiciatório com o mesmo ânimo, e com a mesma fé viva, tanto quando Jesus não responde palavra como quando todos os teus pedidos são atendidos. Há o "dever de orar sempre, e nunca desfalecer", diz aquele que não podia se enganar. Ah, quem me dera graça e fé para tomar Deus pela palavra e, como Jó, dizer: "Ainda que ele me mate, nele esperarei."