9 de Agosto
O fogo arderá continuamente sobre o altar
"O fogo que está sobre o altar arderá nele, não se apagará... O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará." — Levítico 6.12-13
Para, minha alma! Vê o preceito num versículo e a promessa no outro. Os israelitas não deviam apagar este fogo do altar; e Jeová prometeu que ele nunca se apagaria. E não se apagou, durante toda a igreja judaica, até que Cristo veio. E, se é verdade que ele de fato se extinguiu (como se diz) no mesmo ano em que Cristo morreu, o que é isso senão uma confirmação da grande verdade de Deus a respeito da remoção do pecado pelo sangue de Cristo?
Pois não é o fogo, em todas as Escrituras, um emblema do desagrado de Jeová contra o pecado? Não se diz que Deus é "um fogo consumidor"? E, pelo seu arder — milagrosamente preservado durante toda a dispensação judaica —, não se quer mostrar a ira perpétua de Jeová, ardendo como fogo contra o pecado? E, como o fogo nunca se apagava sobre o altar, apesar dos numerosos sacrifícios oferecidos, pode alguma coisa provar de modo mais decisivo a ineficácia dos sacrifícios da lei, por mais custosos que fossem, para tirar o pecado?
E agora o fogo se apagou? O próprio Deus de fato o apagou? Então ele aceitou aquela única "oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez", que veio aniquilar o pecado e o aniquilou para sempre pelo sacrifício de si mesmo. Salve, grande, glorioso e eterno Redentor! Tu és de fato tanto o Sumo Sacerdote como o altar, tanto o Sacrifício como o Sacrificador, cuja única oferta apagou o fogo da ira divina e fez arder em seu lugar a santa chama do amor e da paz, que se acendeu em cada coração do teu povo.
Sim, sim, Cordeiro de Deus, és tu que nos livraste da ira vindoura! Fizeste a nossa paz no sangue da tua cruz. Apagaste com o teu sangue o justo fogo da indignação divina contra o pecado. Apagaste também todos os dardos inflamados de Satanás. Venceste a inimizade flamejante do nosso coração, com todas as suas concupiscências ardentes e afetos inflamados. O que te direi, o que direi de ti, o que proclamarei a teu respeito, ó Senhor, Justiça Nossa? Senhor, ajuda-me a começar o cântico, e nunca permitas que o pecado ou Satanás — nem mesmo a morte — interrompa por um momento a nota celestial; mas que o teu nome encha toda a minha alma e vibre nos meus lábios moribundos, para que eu abra os olhos na eternidade enquanto as palavras ainda estiverem neles: "Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém."