12 de Setembro
Como Moisés levantou a serpente
"E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." — João 3.14-15
Para, minha alma, diante destas palavras, e lembra-te de que são palavras de Jesus. Recorda o acontecimento maravilhoso a que Cristo se refere, na história da igreja no deserto, como se conta em Números 21.5-9. Israel tinha pecado; e o Senhor enviou serpentes ardentes entre o povo, que os mordiam, e eles morriam. Na sua aflição, clamaram ao Senhor, e o Senhor designou este método de cura: fez-se uma figura de serpente de bronze, para a qual Israel recebeu ordem só de olhar, e ser curado. Os que olhavam viviam. Se alguém se recusasse, morria. Esta era a ordenança de Deus. "Ora", diz Jesus, "assim como Moisés, por ordem de Deus, levantou a serpente, assim importa que eu seja levantado, para que todo aquele que crê em mim não pereça, mas tenha a vida eterna."
Agora, minha alma, repara no que o Salvador diz, e vê a bem-aventurança contida na sua preciosa garantia. Foi uma serpente que picou os israelitas. Foi a antiga serpente, o diabo, que envenenou a nossa natureza na queda. Todas as suas tentações, ataques e venenos são ardentes. E, quando os efeitos terríveis do pecado são sentidos na consciência despertada, como queimam de terror na alma! O que podia fazer o israelita moribundo para curar aquelas mordidas venenosas? Nada. Algum remédio curaria? Não. Não havia remédio ao alcance do homem? Não; aquilo desafiava toda arte e resistia a toda tentativa de cura. Assim é o pecado. Nenhuma oração, nenhuma lágrima, nenhum esforço, nenhum arrependimento pode lavar o pecado. Se o pecador for restaurado, terá de ser só pela intervenção e pela misericórdia de Deus.
Observa agora o método que Deus usou com Israel: uma figura de bronze. E se, como alguns nos dizem, olhar para algo brilhante como o bronze, quando a cabeça e o cérebro estão doentes, enlouqueceria a pessoa, então esta serpente de bronze estava tão longe de parecer capaz de curar que era a coisa menos promissora do mundo para isso. Mas era a ordem de Deus; e isso bastava. Curava infalivelmente.
Olha agora para Cristo. Aqui também está a designação de Deus, a ordem de Deus, a autoridade de Deus. Cristo foi feito "em semelhança da carne do pecado"; e, embora santo em si mesmo, se fez pecado por nós, para que nós fôssemos feitos justiça de Deus nele. O único preceito é: "Olhai para mim, e sereis salvos." O quê? Não devo fazer nada, trazer nada, levar nada? Não. A resposta é: "Olhai para mim." Este é o caminho designado. Cristo é a única ordenança; Cristo é o altar, a oferta e o Sumo Sacerdote. "Se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás." Cristo é o dom do Pai para a cura. Em Jesus há plenitude para curar. A fé tem, então, um duplo argumento: a autoridade de Deus Pai e a plenitude da salvação em Deus Filho.
Senhor, tomo isto como minha garantia. Ajuda-me, bendito Espírito, a olhar assim, depender assim, fixar assim toda a minha alma neste remédio completo para toda a minha necessidade, que o céu e a terra testemunhem por mim que não busco a salvação em nenhum outro, plenamente convencido de que em nenhum outro há salvação; "porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos".