15 de Março
Quem sou eu, Senhor Deus?
"Então entrou o rei Davi, e ficou perante o Senhor, e disse: Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?... É este o procedimento dos homens, ó Senhor Deus?" — 2 Samuel 7.18-19
A linguagem de Davi, diante das visões avassaladoras que teve da bondade divina para consigo, serve para o caso de cada filho de Deus, conforme ele puder seguir essa bondade na sua própria história. Certamente toda alma despertada pode clamar, com a mesma impressão: "Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?"
Minha alma, pondera este doce assunto no que te diz respeito. Vê como o amor de Deus é diferente do procedimento dos homens. Contempla-o em cada Pessoa da Divindade.
Qual é a ideia mais alta que alguém pode ter do amor de Deus, nosso Pai, por nós? Não foi quando, como prova do amor que tinha pela nossa natureza, ele vestiu a Pessoa do seu amado Filho com um manto dessa natureza, em seu estado puro e santo; quando lhe deu um corpo em tudo igual ao nosso, exceto no pecado, para que, nesse corpo, não só realizasse a salvação pela sua obediência e morte, mas também fosse o nosso Mediador eterno para nos aproximarmos da Divindade, primeiro na graça e depois na glória? Dize-me, minha alma: que método, em todos os recursos da onipotência, poderia Deus, teu Pai, ter usado para te convencer do seu amor como este doce método da sua sabedoria? Deus mostra, por este processo tão terno, que ama a natureza humana que criou. E, embora, para cumprir as medidas sábias do seu plano de redenção, ainda não tenha levado para a sua corte celestial todos os seus remidos, ele quer ter ali a gloriosa Cabeça deles, o seu representante, para olhar para ele, aceitar nele toda a igreja e amá-los e abençoá-los nele, agora e para sempre.
Ah, minha alma, se esta visão do amor do teu Pai estivesse sempre em primeiro lugar no teu coração, que base de encorajamento ela te daria para sempre para vir ao teu Deus e Pai nele e na sua mediação; ele que, sendo um com o Pai na natureza divina, é também um contigo na natureza humana, justamente para te convidar a vir!
E quanto a ti, bendito Jesus, o teu amor e as tuas delícias sempre estiveram com o teu povo. Desde a eternidade, a inclinação do teu favor esteve voltada para eles; todo o teu coração é nosso. Toda a tua graça em seres estabelecido como cabeça da aliança por nós, e todos os atos posteriores da mesma graça no tempo; tudo o que fizeste então e tudo o que fazes agora — tudo, tudo testemunha o amor do nosso Jesus. E não posso te dizer, querido Redentor, como Davi: "É este o procedimento dos homens, ó Senhor Deus?" Sim, é; mas do Homem da glória, do Deus-Homem, Cristo Jesus.
E não menos tu, Espírito Santo, cuja grande obra é amor e consolação: que pensamento para aquecer a minha alma na contemplação mais desperta e no deleite diante do teu amor! Embora sejas tão puro de olhos que não podes ver o mal, fazes do próprio corpo dos remidos o teu templo, para habitar neles. Minha alma, faze como Davi: entra diante da Presença divina; prostra-te e adora com este pensamento solene: "Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a casa de meu pai?"