18 de Março
Israel esforçou-se e assentou-se na cama
"E alguém participou a Jacó, e disse: Eis que José teu filho vem a ti. E esforçou-se Israel, e assentou-se sobre a cama." — Gênesis 48.2
Este foi um momento interessante na vida — ou melhor, na morte — do patriarca, e pode servir, minha alma, para mostrar qual deveria ser a conduta do crente nas suas últimas horas. A imaginação mal consegue conceber uma situação igualmente importante, sob todos os aspectos, tanto no que diz respeito a um Deus fiel quanto ao próprio coração do homem e à igreja que o santo moribundo vai deixar para trás.
Que cena pode ser mais bela do que um santo moribundo assentado na cama (se o Senhor lhe der a oportunidade) e contando, como Jacó, o trato gracioso do Senhor ao longo de todo o caminho da peregrinação? "O Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia", disse Jacó; "o anjo (e quem era este senão Jesus?) que me livrou de todo o mal."
Para, minha alma. Antecipa um dia assim. Imagina os teus amigos ao teu redor, e tu mesma fortalecida apenas o suficiente para te sentares na cama e te despedires para sempre. O que tens para contar? O que guardaste do trato de Deus contigo, para adoçar a morte ao contá-lo, para bendizer a Deus no justo reconhecimento e para deixar atrás de ti um testemunho para outros da verdade que está em Jesus? Minha alma, de que podes falar? O que podes contar do teu Deus, do teu Jesus? Conheceste o bastante dele para te entregares nas suas mãos todo-poderosas com certeza de salvação?
Para! Não te lançaste, há muito tempo, num ato de fé, sobre Jesus, para todo o teu bem eterno? Não foi a partir de uma perfeita convicção da tua necessidade de Jesus, e de uma convicção igualmente perfeita do poder e da graça de Jesus para te salvar, que te entregaste plena e completamente, com a mais perfeita aprovação deste plano bendito da misericórdia de Deus em Cristo, para seres salva inteiramente por ele, inteiramente do jeito dele e inteiramente para a glória dele? E, sendo assim, tens medo agora, ou recuas agora, quando estás quase à vista dos braços de Jesus prontos para te receber?
Ah, não! Bendito seja Deus, este último ato de entregar a tua alma não é um ato de fé tão grande quanto o primeiro; pois desde aquele tempo tiveste milhares de provas e milhares de sinais de amor e fidelidade de que o teu Deus é verdadeiro. Senta-te, então, minha alma, e faze como o patriarca moribundo: conta a todos ao teu redor a tua confiança no Filho de Deus, que "te amou e se entregou por ti". Clama, como ele: "A tua salvação espero, ó Senhor!"
E, como esta será a última oportunidade de dizer uma palavra por Deus, testemunha da sua fidelidade e anima todos os que te veem a buscar uma parte em Jesus, vendo com que doçura encerras uma vida de fé antes de começar uma vida de glória, bendizendo a Deus, ainda que com lábios moribundos; para que as últimas notas que pronunciares aqui embaixo sejam apenas a interrupção momentânea do mesmo assunto que abrirá o teu cântico eterno: "Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados."