21 de Maio
Achou-o numa terra deserta
"Achou-o numa terra deserta, e num ermo solitário cheio de uivos; cercou-o, instruiu-o, e guardou-o como a menina do seu olho." — Deuteronômio 32.10
Minha alma, vê nesta imagem de Israel o teu caso e as tuas circunstâncias. Onde Jesus te encontrou, quando passou e te disse "Vive", senão lançada fora, repugnante na tua pessoa e perecendo na tua natureza? Lembra-te, então: foi Jesus quem te encontrou, e não tu a ele. E onde nasceste, e nasceste de novo, e foste criada, educada e treinada? Não foi numa terra deserta e num ermo solitário cheio de uivos?
Pode alguma coisa representar melhor o teu estado por natureza? Não é o coração do homem como "a tamargueira no deserto, que não vê quando vem o bem"? Não é como a terra seca, ressequida e estéril? E, como o deserto é uma terra não habitada, cheia de veredas confusas e caminhos emaranhados, sem comida, sem sustento e sem fontes de água, pode alguma coisa se parecer mais com todas as tuas circunstâncias espirituais quando Jesus te chamou das trevas para a luz, e do poder do pecado e de Satanás para si mesmo, o Deus vivo? E, assim como o deserto é um estado estéril, é também perigoso, por causa das feras que rondam e habitam nele.
E Jesus te chamou para fora dele, te levou a uma cidade habitável e se deu a conhecer a ti como o teu Redentor? Ah, como é doce seguir todas as nossas circunstâncias espirituais na misericórdia, na graça e no favor que Jesus mostrou a Israel, assim belamente ilustrados e explicados, e ver, conhecer e nos alegrar de verdade nas nossas misericórdias indizíveis em Jesus! Minha alma, nunca te esqueças, então, de que foi no deserto da natureza que Jesus te encontrou. E ele te tirou de fato de lá? Cuida, então, para que estejas agora subindo dele, "encostada ao teu amado", pendurada inteiramente nele, apegada inteiramente a ele, e decidindo por ti mesma, em todo o tempo que resta e por toda a eternidade, fazer de Jesus o teu tudo, a tua vida, a tua porção, o teu escudo e o teu grandíssimo galardão!