22 de Abril
Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias
"Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias." — Mateus 24.28
Minha alma! Estas são palavras de Jesus, e nenhuma delas deve cair por terra. Sem dúvida há muita instrução neste texto. A águia é uma ave de rapina; e Jó diz que as águias se lançam à comida como navios velozes (Jó 9.26). Em todas as aves de rapina há grande sagacidade, um faro rapidíssimo para sentir de longe o seu alimento; e assim o instinto natural, somado a um apetite voraz, obriga essas criaturas a voar depressa até a presa e devorar o cadáver.
Não há nada nisto que sirva para ti, minha alma? Ah, sim! Se Jesus te deu um verdadeiro princípio de vida nele mesmo, que se torna uma vivificação espiritual de dia para dia e de hora para hora, a tua fome e sede de Jesus serão tão ardentes e tão insistentes quanto o instinto natural daquelas aves pelo alimento diário.
Para, minha alma, e dize: é assim? Buscas Jesus nas suas ordenanças, na sua palavra, no retiro, na meditação, na oração, nas providências; em resumo, em todos os vários caminhos pelos quais podes desfrutar dele, como uma ave faminta se apressaria para a sua presa? Se Jesus é de fato o único objeto bendito do teu desejo, isso não se mostrará pelo ardor dos teus desejos? Desejou Davi as águas de Belém quando teve sede? Declarou ele que, "assim como o cervo brama pelas correntes das águas", ansiava pelo gozo de Deus? Aqui, então, minha alma, podes aprender a avaliar o padrão real dos teus afetos pelo teu Jesus.
Ah, quem me dera graça para ter a alma exercitada dia e noite, e nunca, nunca desistir desses anseios, como as mulheres grávidas com os seus desejos, até que os desejos plenos da alma em Jesus e sobre Jesus sejam plenamente satisfeitos. Parece-me que, assim como as águias se ajuntam ao redor do cadáver, assim os crentes deveriam ser encontrados banqueteando-se em Jesus. Em Jesus e nas suas gloriosas excelências tudo é adequado às necessidades do crente: o seu nome, a sua pessoa, a sua obra, o seu sangue, a sua justiça; cada perfeição, cada promessa, cada experiência que tivemos nele no passado se torna alimento para a alma. De modo que os anseios espirituais da alma, quando ela está com saúde e força, agem como o mesmo instinto dos anseios naturais da ave de rapina, levando-a a Jesus para se alimentar dele.
Vê, então, minha alma, se te levantaste nesta manhã com um apetite vivo por Jesus. Certamente já provaste, no passado, que o Senhor é benigno. E, se estás com saúde na alma, não terás de novo tanta fome deste alimento celestial quanto o corpo de um homem saudável deseja a sua refeição da manhã?
Ah, bendito Senhor, dá-me este apetite. Desperta em mim fome de ti. Que seja de ti mesmo; não só dos teus dons, não só das tuas graças, por mais doces que sejam; mas, bendito Jesus, que seja de ti mesmo. E que este desejo seja contínuo: todos os dias, e o dia todo. E que seja inteiramente por ti, em tudo o que te pertence; quero dizer, por tudo o que há em Jesus: a tua cruz, se for preciso, tanto quanto a tua coroa; amor aos teus preceitos tanto quanto às tuas promessas. E, ah, que este desejo seja tão insaciável, tão ardente, tão incessante, que nada do que eu tenho de ti me satisfaça a ponto de eu não ansiar mais por ti, mas antes desperte o apetite da minha alma e só inflame cada vez mais o meu coração e os meus anseios, até que, de te provar aqui embaixo, me leves à própria fonte do gozo lá em cima, onde os meus olhos ansiosos e a minha alma ansiosa se banquetearão em Jesus e no seu amor para todo o sempre. Amém.