25 de Abril
Acrescenta-nos a fé
"Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé." — Lucas 17.5
Precisavam os apóstolos orar assim? Então eu preciso muito mais. Ó grande Autor e Consumador da nossa fé! Quero olhar para ti com gratidão por teres concedido até a menor porção de fé a uma criatura tão indigna como eu. Certamente, minha alma, é um milagre da graça tão grande o meu Deus e Salvador ter acendido a fé no teu coração de pedra, em meio a todos os obstáculos de pecado e de Satanás que havia ali, quanto quando o fogo miraculoso do céu, em resposta à oração do profeta, desceu e consumiu o sacrifício encharcado. Eu te louvo hoje, meu Deus e Rei, ao lembrar desta misericórdia indizível e imerecida.
E, embora esta fé no meu coração ainda seja como um grão de mostarda; embora seja como uma faísca no oceano; embora seja como uma gota de orvalho comparada ao rio; ainda assim, bendito e precioso Jesus, isto é fé, e é dom teu. E não é sinal do teu favor? Não é penhor do Espírito Santo e garantia da herança prometida? Os bebês na fé, assim como os fortes no Senhor, são igualmente teus; pois está escrito que "creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna" (At 13.48), e "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus". Assim, é por ti mesmo, bendito Redentor, e não pela força ou fraqueza da fé do teu povo, que a justificação deles diante de Deus, o Pai, está garantida. Precioso é aquele texto que nos diz que por ti todos os que creem, seja de grande fé, seja de pequena fé — "todo aquele que crê", de tudo "é justificado" (At 13.39).
Mas, minha alma, enquanto a consciência de possuir até as menores evidências de fé no teu amado te dá uma alegria indizível e cheia de glória, não te envergonhas ao pensar que retribuição ingrata estás dando ao teu Redentor com a pequenez da tua fé num tal Deus e Salvador? Por que os teus afetos são tão quentes em mil coisas menores e tão frios para com Jesus? Por que ouves tantas vezes a sua santa palavra como se não ouvisses? Por que as ordenanças da casa de Jesus, as promessas das suas Escrituras, as visitas da sua graça passam e repassam diante de ti, e continuas tão fria e sem vida nos teus afetos? Por que as tentações de Satanás, as corrupções do teu coração e as seduções do mundo ganham alguma influência sobre ti? Por que ficas tão ansiosa com coisas que perecem, com qualquer coisa, com coisa nenhuma que mereça ser chamada importante; por que vais tão raramente à corte do Rei celestial, onde deverias estar diariamente, a cada hora, esperando; e por que, nas provações, ou quando faltam respostas no propiciatório, ficas irritada, impaciente e cheia de dúvidas?
De onde vêm todos estes males, e inúmeros outros, senão da fraqueza e da pequenez do teu amor por Jesus, da tua confiança em Jesus, da tua dependência de Jesus e da tua comunhão com Jesus? Tudo, tudo nasce desta única causa triste, minha alma: a tua incredulidade. Jesus, Mestre, olha para mim; põe este clamor com ardor no meu coração, para que eu envie sem cessar, com a oração dos apóstolos, esta como a primeira e maior petição de toda a minha alma: "Senhor, acrescenta-me a fé."