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RH

27 de Abril

Vede como o amava

Robert Hawker·Porções da Manhã e da Noite
Porção da manhã

"Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava." — João 11.36

As lágrimas de Jesus junto ao túmulo de Lázaro produziram tal espanto na mente dos judeus que eles exclamaram assim! Mas, se eles soubessem — ou se o mundo inteiro soubesse — o que eu sei do teu amor por mim, querido Redentor da minha alma, todos os que ouvissem poderiam exclamar com admiração ainda maior: "Vede como o ama!"

Quero deixar de lado por ora, na contemplação do teu amor, todos os inúmeros exemplos dele que possuo em comum com a tua igreja e o teu povo; pois, embora estes, em todos os casos, tragam consigo os sinais de um amor que excede todo entendimento, quero me demorar, na meditação desta manhã, na visão do amor de Jesus por mim, um pobre pecador — não como ele se mostra nas misericórdias gerais, nem mesmo nas gloriosas misericórdias da redenção, mas como essas misericórdias chegam, com endereço pessoal, ao meu próprio coração, sim, ao meu.

Pensa, minha alma, que imenso volume terás de ler na eternidade sobre o amor de Jesus por ti, um amor especial, expresso, pessoal e particular. E, entre todos os capítulos desse amor, com que arrebatamento te demorarás naqueles dois doces versos que, como o refrão de um dos salmos, terás de cantar em voz alta depois de rever cada bênção anotada: "porque a sua benignidade dura para sempre". Refiro-me, primeiro, a que Jesus tenha alguma vez olhado para ti com compaixão; e, em seguida, a que, depois de uma graça tão especial, as enchentes de pecado e corrupção que há em ti não tenham apagado esse amor e o extinguido para sempre. O pensamento do amor de Jesus, olhado apenas destes dois ângulos, bastará para ocupar as tuas faculdades imortais em contemplação, amor e louvor por toda a eternidade.

Para, minha alma, e dá uma breve olhada em cada um. Jesus olhou para ti, te amou, te chamou, te remiu, se manifestou a ti de um modo diferente do que se manifesta ao mundo; e isso num tempo em que milhares e dezenas de milhares são deixados de lado, de temperamento, mente, disposição e entendimento muito superiores aos teus sob todos os aspectos, e muito mais promissores para glorificá-lo. Curva-te, minha alma, enquanto ponderas esta rica misericórdia, e atribui todo o louvor e toda a glória àquele cuja graça gratuita, e não o teu merecimento, foi a única causa.

E, depois de revirares bem este assunto espantoso na tua mente, pensa de novo como é cada vez mais espantoso que, depois de uma graça tão especial, todas as tuas transgressões repetidas e agravadas não tenham extinguido este amor por ti, mas que Jesus ainda te ame, embora tenhas sido, e continues sendo, tão ingrata. Ah, amor sem igual, além de toda compreensão! Quando este meu coração vil e vergonhoso te amará a ponto de viver para a tua glória? Senhor, abomino-me a mim mesmo diante desta visão da tua graça e da minha vileza!

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