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RH

28 de Março

O testamento de Jesus

Robert Hawker·Porções da Manhã e da Noite
Porção da manhã

"Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?" — Hebreus 9.16-17

Vê, minha alma, com que graça o Espírito Santo apresentou aqui a necessidade da morte de Jesus, para que o testamento que ele deixou tivesse o efeito pretendido, e todos os benefícios e bênçãos que nele legou ao seu povo fossem plenamente pagos e transferidos a eles para a sua paz presente e felicidade eterna.

Agora, minha alma, anota para a meditação especial de hoje as muitas coisas preciosas contidas aqui. Observa como o Espírito Santo se acomoda para te explicar as coisas divinas por meio da comparação com as transações humanas. Assim como um homem faz o seu testamento, Jesus fez o seu. Assim como aquilo que um homem dá é um ato totalmente livre e voluntário, Jesus também não foi obrigado a nada do que deu no seu testamento bendito; tudo foi fruto do seu próprio amor livre, gracioso e eterno. E, assim como um homem tem de morrer para que o seu testamento entre em vigor, Jesus teve de morrer, e morreu, para que o seu testamento tivesse também pleno efeito.

Mas há mais um ponto doce a considerar, no qual, minha alma, o teu Jesus superou infinitamente todos os homens neste assunto dos testamentos. Quando um homem morre, nomeia em testamento um executor, a quem tem de confiar a administração de todos os seus bens depois da sua morte; e, se esse executor for infiel, os seus melhores planos para aqueles que amou em vida podem falhar depois que ele morre. Ora, aqui está a doçura do testamento de Jesus: ele não só fez o testamento, mas ele mesmo cuidará de que seja plenamente executado; pois, assim como morreu uma vez, para que pela sua morte o testamento fosse confirmado, vive para sempre para ver pagos todos os seus dons e legados benditos. Precioso, precioso Jesus! Como é seguro, então, o teu testamento, e como é certo que cada til dele será cumprido!

Agora, minha alma, há duas grandes coisas que te convém investigar a respeito do testamento do Senhor Jesus. A primeira é se tens parte nele. A segunda é o que o Senhor Jesus deixou. Lembra-te, minha alma, de que neste caso, como no anterior, quando os homens fazem testamento, é para deixar os seus bens aos parentes, aos amigos, à família. Jesus também tem os seus parentes, os seus amigos, a sua família. Sim, querido Senhor, condescendes em chamar o teu povo de esposa, irmãos, filhos, joias, remidos.

Minha alma, reivindicas parentesco com Jesus? Consegues provar, ou já provaste, o seu testamento? É Jesus o teu esposo? Ele te desposou consigo? Além disso, tens as marcas de filha na família de Deus? Nasceste de novo? E ainda: se és dele, então tens o seu Espírito; pois "o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito". Se és filha de Deus e coerdeira com Cristo, estás debaixo da sua condução divina; "porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus". Se tens estas marcas de parentesco, podes esperar com segurança os seus dons. Certamente Jesus se lembrou nos seus legados da sua esposa e dos seus filhos.

E, ah, que inventário encontrarás, minha alma, na segunda investigação, depois de teres provado plenamente a primeira! Ah, que legados, que dons, que herança te pertencem pelo testamento de Jesus! Todas as bênçãos temporais, todas as bênçãos espirituais, todas as bênçãos eternas! Perdão, misericórdia e paz no sangue da sua cruz; o doce gozo de todas as providências nesta vida e a posse segura da felicidade eterna na que há de vir. Ah, como foi verdade, meu Deus e Salvador, quando disseste: "Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e eu encha os seus tesouros."

Hoje