29 de Maio
Pela justiça de um só
"Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida." — Romanos 5.18
Quanto à ruína em que estás envolvida em Adão, certamente, minha alma, tu a conheces e sentes dia após dia. Ninguém pode te convencer do contrário. Estás tão envolvida no pecado — e, por consequência, implicada no castigo — da transgressão do primeiro homem como se estivesses no jardim com ele quando ele a cometeu; e, de fato, como tua raiz e cabeça, estavas mesmo. E sentes a mesma disposição para pecar, a mesma rebelião na tua própria natureza. Assim, assinas da maneira mais plena e livre o direito do juízo de Deus: que a condenação veio sobre todos os homens, porque todos pecaram.
Agora, então, vê, minha alma, se pelo mesmo Mestre todo-poderoso que te convenceu do pecado foste convencida também da justiça de Jesus, e se tens parte tão plena e verdadeira em tudo o que pertence a ele. Pois, assim como Adão e a sua descendência são um no pecado e nas suas justas consequências, assim também Cristo e a sua descendência, aos olhos da lei e da justiça de Deus, são um na justiça de Cristo.
Lembra-te, minha alma — e é um ponto importante para lembrar —: Jesus nunca é mencionado nas Escrituras como uma pessoa isolada, como o Cristo de Deus, mas como o Cabeça da aliança. Ele é tanto a cabeça, a raiz, o tronco comum de toda a sua descendência espiritual quanto Adão foi a cabeça, a raiz e o tronco de toda a sua descendência natural. Assim, como o pecado de Adão é o pecado de todos os seus filhos, porque são seus filhos, assim também a justiça de Cristo, chamado o segundo Adão, é a justiça de todos os seus filhos, porque são seus filhos. Esta verdade é tão clara que dispensa mais argumentos.
O ponto seguinte, para desfrutares todo o consolo e a bem-aventurança que nascem desta preciosa doutrina, é que sejas capaz, minha alma, de provar que és da descendência de Cristo. Provas muito bem, dia após dia, pelos restos da corrupção que habita em ti e se levanta por dentro, que és da linhagem do primeiro Adão: como provarás o teu parentesco com o segundo? Pois, assim como, se eu não tivesse vindo da linhagem de Adão e nada do seu sangue corresse nas minhas veias, eu não teria participado do seu pecado nem estaria sujeito ao seu castigo, é igualmente evidente que, se eu não nasci de novo e não pertenço à descendência de Cristo, não tenho parte nele nem na sua justiça.
Bendito seja Deus! O parentesco com Jesus, como glorioso Cabeça e Mediador do seu povo, é tão fácil de provar quanto o parentesco com Adão. Deus prometeu derramar o seu Espírito sobre a descendência de Cristo: "Derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes" (Is 44.3-5). Tens então, minha alma, o Espírito de Cristo, como tens a natureza de Adão? Jesus é precioso, mais precioso do que o ouro? A sua salvação é querida? A sua justiça é a tua única confiança? Podes dizer, e dizes, como um dos antigos: "Toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele"? Aquele em quem o Pai se deleita é o teu deleite — aquele que é o desejado de todas as nações é o teu desejo?
Se estes e outros testemunhos semelhantes estão na tua experiência, minha alma, de que maiores evidências precisas para mostrar o teu parentesco com o teu Jesus, assim como as tuas corrupções provam que és aparentada com a velha natureza? Cuida, então, minha alma, de guardar esta verdade que reaviva a alma junto ao peito e de levá-la contigo todos os dias, aonde quer que fores; assim Jesus será a tua esperança e a tua porção para sempre.