30 de Agosto
Lembrar-te-ás de que foste servo no Egito
"E lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito, e de que o Senhor teu Deus te resgatou." — Deuteronômio 15.15
Dize, minha alma: podes algum dia esquecer o absinto e o fel daquele estado de natureza de onde o Senhor teu Deus te tirou? Imagina o mais horrível estado de cativeiro que o mundo já conheceu; e o que poderia ser tudo isso — limitado, como tem de ser, ao curto período da vida humana — comparado com a escravidão eterna do pecado e de Satanás em que estavas quando Jesus passou e te tirou de lá? Nenhum condenado às galés, acorrentado ao remo, poderia igualar a tua miséria, presa com a corrente do pecado. Nenhuma duração de miséria limitada pelo tempo iguala aquele estado sem fim de desgraça a que estavas exposta.
Eras escrava do poder do pecado, do amor ao pecado, do desejo do pecado, do castigo do pecado; escrava da lei de Deus, da justiça de Deus, do desagrado de Deus, das ameaças de Deus; escrava da tua própria consciência culpada; escrava das tuas próprias concupiscências corrompidas — não de uma, mas de muitas, "servindo a várias concupiscências e deleites, odiosos, odiando-nos uns aos outros", como diz o apóstolo; escrava de Satanás, uma serva voluntária, vestindo a sua libré, gostando do seu serviço, embora cheio de tristeza, aborrecimento e decepção, e com a morte certa como salário; escrava do medo de muitas criaturas da criação inferior, muitas das quais tinham contínuo poder de te afligir e angustiar; escrava do medo da morte, do inferno e de um juízo vindouro!
Era este o teu estado, minha alma, por natureza e por prática? E alguém semelhante ao Filho do homem te tirou de lá? Precioso Jesus, que te direi, que direi por ti? "Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?" E dizes, Senhor, que eu me lembre daquela escravidão e da tua redenção? Ah, que a minha língua se apegue ao céu da boca se eu me esquecer de ti, Autor de toda a minha alegria e de toda a minha felicidade! Sim, se não me lembrar de ti e não preferir o teu amor ao vinho. Na vida, na morte e por toda a eternidade, que a minha alma se agarre a ti como a abelha à flor; e que o perfume do teu nome seja como unguento derramado.