7 de Abril
Derramou a sua alma na morte
"Porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores." — Isaías 53.12
Minha alma, do jardim até a cruz, segue Jesus. Vê-o preso e levado às pressas, tanto para o julgamento quanto para a morte. Aquele que derrubou por terra a tropa que veio prendê-lo poderia certamente, com o mesmo sopro da sua boca, tê-los lançado no inferno e impedido que o prendessem. Mas uma das partes mais doces e benditas da redenção do seu povo por Jesus está em ter sido o seu sacrifício livre e voluntário. Sim, precioso Cordeiro de Deus! Ninguém (como tu mesmo disseste antes) tinha poder para tirar a tua vida; mas tu mesmo a deste: tinhas poder para dá-la e poder para tornar a tomá-la. Que consideração deliciosa para ti, minha alma!
Agora, minha alma, que a meditação de hoje seja dedicada a contemplar o teu Redentor derramando a sua alma na morte. E amanhã, se o Senhor te der ver o amanhã, que o assunto solene do teu estudo sejam os sofrimentos de Jesus no seu corpo. Para, então, minha alma, e reúne todas as forças da tua mente para contemplar o que a Escritura ensina a respeito do teu Redentor derramar a sua alma na morte. Busca o ensino do Espírito Santo neste assunto solene e misterioso.
A maldição original pronunciada na queda, que Jesus tomou sobre si e veio abolir, continha algo imensamente grande. Pois, assim como a bênção prometida à obediência — "Faze isto e viverás" — certamente significava algo muito maior do que a simples vida animal, e implicava doce comunhão com Deus, assim também a maldição contra a desobediência — "morrendo, morrerás" — indicava claramente muito mais do que a simples volta do corpo ao pó de onde foi tirado: significava o que na Escritura (Ap 20.6) é chamado de "segunda morte", isto é, o inferno e a miséria eterna.
Por isso, na restauração da nossa natureza perdida e caída deste estado terrível, quando Jesus assumiu a salvação do seu povo, ele tinha de suportar tudo o que nos era devido; e, para realizar isso, não só morreu no corpo, mas derramou a sua alma na morte. Como representante e fiador do pecador, carregou todo o peso e a pressão da justiça divina devidos ao pecado, conforme o que o Espírito Santo ensinou: "Indignação e ira, tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal" (Rm 2.8-9). Não que o Redentor precisasse, para isso, descer ao inferno para sofrer as misérias dos condenados; pois, quando a ira vingadora de Deus veio sobre ele, ele a suportou aqui. A ira de Deus pode ser suportada na terra tanto quanto no inferno; testemunha disso é o espírito mau chamado "príncipe das potestades do ar" (Ef 2.2), pois onde quer que estejam os anjos apóstatas, eles continuam suportando a ira divina.
Assim, quando o Senhor Cristo derramou a sua alma na morte, pela extrema angústia dos sofrimentos e do trabalho da sua alma pelos seus remidos, suportou tudo isso como fiador do pecador, tornando-se pecado e maldição, para sentir e sofrer tudo o que era devido ao pecador. Ah, quem dirá, que coração conceberá a grandeza e a extensão dos teus sofrimentos, precioso, precioso Cordeiro de Deus! Ah, quem se atreverá a mostrar por completo a adequação infinita de Jesus a cada pobre pecador humilde e convencido, livrando-o da ira vindoura! Aqui, minha alma, fixa os teus olhos; aqui emprega todas as tuas forças na contemplação incessante, enquanto vês Jesus, o teu Jesus, "derramando a sua alma na morte, sendo contado com os transgressores, levando sobre si o pecado de muitos e intercedendo pelos transgressores".