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RH

6 de Abril

Sou eu

Robert Hawker·Porções da Manhã e da Noite
Porção da manhã

"Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava com eles. Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram, e caíram por terra." — João 18.4-6

Que texto glorioso! Pondera-o bem, minha alma; pois, de todos os milagres do teu Jesus, não há nenhum mais doce e mais satisfatório de contemplar. Ontem olhavas para o teu Redentor debaixo de uma nuvem pesada. Olha para ele como é apresentado aqui, pois ele ainda está, neste acontecimento, no mesmo jardim do Getsêmani; e vê como a divindade resplandeceu com uma glória acima de toda descrição.

Observa que sacrifício voluntário foi Jesus. Ele sabia que a hora tinha chegado, pois o dissera. Não esperou ser preso e, por mãos iníquas, crucificado e morto; saiu para se entregar. Sim! Jesus não foi ao jardim do Getsêmani por nada: sabia que Judas estaria lá; sabia que os poderes das trevas estariam lá; sabia que toda a sua alma estaria em agonia; mas para lá Jesus quis ir. Ele tinha dito à mesa com os discípulos: "Levantai-vos, vamo-nos daqui."

Precioso, precioso Jesus! Como é querida para a minha pobre alma esta doce visão da tua prontidão e do teu ardor em te tornares sacrifício pelos pecados do teu povo! Tinhas, Senhor, este batismo para ser batizado, e como te angustiavas até que se cumprisse! Houve um tempo, querido Senhor, em que as multidões te procuravam para te fazer rei, tão convencidas estavam, naquele momento, de quem eras; e então te escondeste delas. Mas agora os teus inimigos vêm para te fazer rei com uma coroa de espinhos e para pregar o teu corpo sagrado na cruz, e tu te apressaste a ir ao encontro deles. Bem podia o profeta dizer que saíste para a salvação do teu povo.

Olha para este texto de novo, minha alma. "A quem buscais?", disse Jesus. Eles não o conheciam? Provavelmente era uma noite clara, pois a lua estava cheia; além disso, os que buscavam Cristo tinham lanternas e tochas. Como não o reconheceram? Fizeste com eles, amado Senhor, naquele momento, o que os teus anjos fizeram aos de Sodoma à porta de Ló, fazendo com que os seus olhos fossem impedidos de te reconhecer? Houve algo de milagre também nisto?

Mas, minha alma, vê a maravilha das maravilhas que se seguiu: assim que Jesus respondeu à pergunta deles — "a quem buscais?" — com "Sou eu", eles recuaram e caíram por terra. Houve de fato algum brilho repentino e avassalador da divindade, rompendo o véu da carne de Jesus, que produziu esse efeito? Já se soube ou se ouviu falar, em alguma época ou período do mundo, de um efeito assim? Supondo que todos os monarcas da terra, com os exércitos mais poderosos, pudessem se reunir, como produziriam algo assim com o sopro da boca?

Contempla isto, minha alma, uma e outra vez. Alegra-te nesta visão do teu Salvador; pois certamente nunca o teu Redentor operou milagre maior; e lembra-te de quão pouco depois da sua agonia ele aconteceu. Nunca vás ao Getsêmani em meditação sem levar contigo a lembrança disto. "Eis aqui o homem!" Eis aqui o Deus! Jesus não usou nada: nenhuma arma, nenhuma ameaça, nenhuma condenação, nenhum apelo ao Pai. Jesus simplesmente disse "Sou eu", e eles caíram por terra.

Precioso Jesus, que volume de instrução isto oferece! Se tal foi o efeito no dia da tua carne, como é certo aquele texto sobre o dia do teu poder, em que se diz que o Senhor "desfará o iníquo pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda" (2Ts 2.8). E, se, minha alma, havia tanto poder na palavra do teu Salvador quando ele apenas disse aos seus inimigos "Sou eu", por que não sentirias toda a doçura e o poder gracioso do seu amor quando ele diz: "Não temas, sou eu; eis que estou contigo; sou eu, não temais"?

Pondera também, minha alma, nesta visão, o estado terrível de uma alma endurecida pelo pecado. Os inimigos de Jesus, embora tenham caído por terra com uma simples palavra dele, não sentiram nenhuma mudança, nenhum remorso diante daquela demonstração. Judas também estava com eles. Sim! Ele também caiu; mas Satanás tinha entrado nele, e uma mente reprovada o marcava como filho da perdição. Ah, precioso Jesus! Como é plenamente ensinada ao teu povo, em cada parte da tua palavra, a verdade solene de que é a graça que faz toda a diferença entre o que serve a Deus e o que não o serve. Ah, guarda-me, Senhor, e estarei bem guardado; pois a ti elevo a minha alma!

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