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RH

10 de Abril

Mulher, eis aí o teu filho

Robert Hawker·Porções da Manhã e da Noite
Porção da manhã

"Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe." — João 19.26-27

Esta foi a segunda das palavras do Senhor Jesus ao morrer; e, sem dúvida, de grande importância em todo o seu sentido e significado: não apenas para recomendar Maria aos cuidados do apóstolo amado, João, mas provavelmente de maior peso em relação à igreja de Jesus em geral.

Minha alma, não é muito certo que o Senhor Jesus conhecia todos os acontecimentos que se dariam em todas as gerações do seu povo? E, sendo assim, Jesus não sabia perfeitamente que viria o tempo em que se ofereceriam honras divinas a Maria? Esses pontos não podem ser contestados. Pois bem: não é digno da mais atenta observação que Jesus, tanto aqui como em todas as outras ocasiões em que falou de Maria, a chamou de "mulher"? Por quê? Se Jesus sabia que haveria quem orasse a ela e a chamasse "mãe de Deus" — nome pelo qual nem o Espírito Santo nem o próprio Senhor Jesus jamais a distinguiram —, poderia haver forma mais decisiva de desaprovar tal idolatria do que Jesus, nos seus momentos de morte, chamar Maria apenas de "mulher"?

Além disso, não foi também por outro motivo? Como Jesus seria a descendência da mulher, prometida para esmagar a cabeça da serpente, esse testemunho no momento da morte podia servir por mil testemunhas como prova e confirmação do fato; e o cântico de Maria podia ser o cântico de milhares: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador!"

Mas, depois de atentares assim para o segundo clamor de Cristo na cruz quanto a esses doces pontos, lembra-te também, minha alma, de como essas expressões do teu Senhor recomendam com ternura todos os afetos queridos de amor e consideração entre todos os membros do corpo místico de Cristo. "Eis aí a tua mãe" e "eis aí o teu filho" são apenas expressões diferentes para indicar que todos os verdadeiros crentes em Jesus são membros uns dos outros e do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos. E, como foi com o próprio Senhor nesta vida, assim é com todos os seus remidos, nesta vida e na que há de vir: aqueles que fazem a vontade do seu Pai, que está nos céus, esses são irmãos, irmãs e mãe de Cristo.

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