11 de Abril
Hoje estarás comigo no Paraíso
"E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." — Lucas 23.43
Minha alma, ouve as palavras graciosas do teu Jesus. Este foi o terceiro clamor do Redentor na cruz. E, ah, como está cheio de graça — graça rica, gratuita, imerecida, inesperada, impensada — para um pobre pecador perdido e que perecia, no próprio momento da morte! Que o fariseu cheio de justiça própria veja este exemplo de amor redentor, se admire e fique confundido. Certamente ninguém se atreverá a supor que as boas obras deste homem lhe serviram de recomendação, quando o pobre infeliz estava morrendo nas mãos da justiça. O que o salvou, então, senão a salvação completa de Jesus?
O Filho de Deus estava oferecendo a sua alma na cruz em sacrifício pelo pecado e, estando entre dois pecadores notórios, deu uma rica demonstração da soberania da sua graça e do seu amor por pobres pecadores; e, como confirmação, arrancou este como um tição do fogo — tirou-o das próprias mandíbulas do inferno e, naquele mesmo dia, o levou em triunfo para o céu; mostrando assim a cada pobre pecador em cujo coração ele põe o clamor por misericórdia que esse clamor nunca será em vão.
E repara, minha alma, com que poder a graça do Senhor Jesus agiu sobre este homem. Ele e o seu companheiro sabiam que, antes da noite, ambos estariam na eternidade. O pensamento não abalava nenhum dos dois; juntavam-se à multidão para insultar Jesus. "Salva-te a ti mesmo e a nós" era a linguagem do coração de ambos, até que a graça de Jesus agiu na mente deste homem e transformou o blasfemador num suplicante humilde.
O que poderia haver em Jesus para tocá-lo assim? Jesus estava pendurado na cruz como um pobre judeu. Jesus sempre fora pobre, e nunca tanto quanto agora. E, no entanto, em meio a todas essas circunstâncias, um raio de luz tal irrompeu na mente deste homem que ele viu Jesus em toda a sua glória e poder, reconheceu-o como Rei quando todos os discípulos o tinham deixado e fugido, e pediu para ser lembrado por ele quando entrasse no seu reino.
Precioso Cordeiro de Deus! Concede-me uma porção tal da tua graça que, em meio a todas as circunstâncias pouco promissoras ao redor, desperte em mim a mesma convicção do teu poder e da minha necessidade. E, ah, que este modelo de misericórdia seja contemplado por milhares de pobres pecadores que perecem e morrem! Parece-me que eu gostaria que fosse proclamado em todos os lugares públicos, em todos os antros de libertinagem, entre as inúmeras cenas de pecadores endurecidos que temem ter pecado além de toda possibilidade de perdão. Ah, olhem para este exemplo do amor de Jesus, vocês que descem à sepultura cheios de pecado e de desespero! Vejam o ladrão! Vejam o Salvador! E, ah, quem nos dera um clamor de graça como o do malfeitor moribundo — "Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino" — e a resposta graciosa de Jesus: "Hoje estarás comigo no Paraíso."