15 de Julho
Rios de águas correm dos meus olhos
"Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei." — Salmos 119.136
De quem se pode dizer isto? De Jesus, e só de Jesus. Ele de fato chorou sobre a sua amada Jerusalém, pois era homem de dores e experimentado nos trabalhos. E o amor que tinha pelos seus remidos produziu um suor de sangue por todos os poros do seu corpo sagrado. Mas de todos os outros não se pode dizer: "Todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus"?
Se amássemos de verdade a Sião, não correriam rios de lágrimas diante do estado abatido em que Sião se encontra hoje? Se sentíssemos todo o peso da graça distintiva, não lamentaria todo coração sobre as ruínas da nossa natureza comum? Pensa, minha alma, que massa de pecado sobe como uma nuvem diante da vista do Senhor todos os dias de um único coração de transgressor desesperadamente perverso! Pensa que acúmulo numa cidade, numa província, num império, no mundo! Não poderiam correr rios de águas diante desta contemplação?
E pior, se é possível! Pensa naquela fonte mais alta de tristeza: que o único remédio possível para este mal seja desprezado, e que Cristo, a única ordenança graciosa de Deus para a recuperação da nossa natureza arruinada, seja tão pouco estimado entre os homens. Ah, como se poderia esperar que o povo de Deus tivesse a própria alma derretida nesta contemplação! Esta, esta é de fato a condenação; este é o pecado que destrói a alma: "que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más". Ah, quem me dera graça para lamentar uma geração que despreza a Cristo! Ah, que "de Sião venha o Libertador, e desvie de Jacó as impiedades"!