14 de Julho
Só eu escapei para trazer-te a nova
"E só eu escapei para trazer-te a nova." — Jó 1.19
Minha alma, não há nada nesta descrição que o mensageiro de Jó deu de si mesmo que se aplique ao teu caso e às tuas circunstâncias? Mais ainda: não podes, de muitas maneiras diferentes, tanto na providência como na graça, adotar uma linguagem semelhante, como quem escapou sozinho para contar?
Para! Olha para trás, para os teus dias de criança. Mais ainda, olha mais para trás, até o nascimento e o ventre; pois, se o Senhor não te tivesse tirado de lá, certamente terias morrido desde o ventre e entregado o espírito. E o que foi a tua infância senão anos de perigos e riscos, em que multidões caíram ao teu redor, de modo que podias dizer, contemplando-os: "E só eu escapei para trazer-te a nova"? E onde estão os muitos com quem passaste as etapas da tua juventude e os teus anos de escola? Onde estão eles? Não se pode dizer aqui outra vez: "E só eu escapei para trazer-te a nova"? Continua, e segue a história maravilhosa no caminho agitado dos anos mais maduros: por que doenças, dores e mortes passaste! E não podes, minha alma, exclamar aqui outra vez: "E só eu escapei para contar"?
Ah, as maravilhas do amor distintivo, até nas providências comuns, para com o seu povo, antes que os objetos tão favorecidos tenham qualquer consciência de como esse amor está velando sobre eles e pelo qual são preservados até o dia do seu chamado! Quem calculará a soma da misericórdia distintiva nas providências que preservam e sustentam durante todo o estado de não convertido? Minha alma, se tivesses morrido em qualquer um desses momentos de perigo — e quão perto às vezes a morte pareceu estar! —, a linguagem do mensageiro de Jó não seria então a tua, como é agora: "E só eu escapei para trazer-te a nova."
Para mais uma vez. Escapaste agora de fato, minha alma, para contar da graça que converte? Podes agora olhar ao redor e, entre os que estão morrendo e os mortos em delitos e pecados — não despertados, despreocupados, não regenerados —, podes de fato dizer: "E só eu escapei para trazer-te a nova"? Ah, então, minha alma, proclama com empenho a verdade gloriosa. Convida a todos, até onde chegar a tua esfera de alcance, como se tu, e só tu, tivesses escapado para contar as maravilhas do amor redentor; e que a tua linguagem diária seja: "Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito à minha alma."