15 de Agosto
A benevolência daquele que habitava na sarça
"E com a benevolência daquele que habitava na sarça." — Deuteronômio 33.16
E quem é este, minha alma? Ou melhor: quem pode ser senão Jesus? Certamente ele é a pessoa gloriosa. Foi a benevolência, no mais alto grau possível, que levou a sua mente infinita, desde a eternidade, a amar o seu povo, a comprometer-se por ele em compromissos de fiança e a levantar-se e apresentar-se, ao chamado de Deus Pai, como Cabeça do seu corpo, a igreja. Foi a continuação da mesma benevolência que o levou, na plenitude dos tempos, a assumir a nossa natureza para cumprir esses compromissos.
Foi então, de fato, que ele habitou na sarça; pois o que é a nossa natureza, na melhor das hipóteses, senão uma pobre sarça seca, própria para queimar? Mas, com Cristo nela, é sustentada e preservada de tal modo que, embora a sarça arda no fogo — o fogo das concupiscências das nossas corrupções, os dardos inflamados do maligno e toda a oposição flamejante do mundo —, "a sarça não se consumia". Precioso Jesus, que benevolência mostraste, mostras e mostrarás eternamente à nossa pobre natureza, desde que estiveste nela e és agora, de fato, o morador dela!
E Moisés, ao morrer, ligou assim as primeiras visões do teu amor — quando, da sarça ardente, te deste a conhecer a ele como Deus habitando na nossa carne para a salvação — às suas últimas visões, quando fechava os olhos para este mundo e olhava para ti como Deus-homem Mediador, e orou assim pela tua benevolência para com a igreja? Ah, então, que a minha meditação de cada dia faça o mesmo. Senhor Jesus, quero buscar a ti e a tua benevolência acima de todas as riquezas da terra e de todos os prazeres do mundo. Senhor, nunca quero esquecer que foi a tua benevolência que te trouxe do céu; a tua benevolência que te levou a morrer e a ressuscitar por pobres pecadores; a tua benevolência que te faz lavá-los de todos os pecados no teu sangue; todas as visitas da tua graça aqui, todas as glórias da redenção depois — tudo é compra e resultado da tua benevolência.
Precioso Senhor, concede-me, dia após dia, novos sinais da tua benevolência; e que essas visitas sejam tão graciosas, tão doces e tão contínuas que eu não pense em outra coisa, nem fale de outra coisa, senão da benevolência daquele que habitava na sarça. Quero orar por graça para passar todos os momentos da minha vida aqui recebendo de ti graça e amor e levando-te amor e louvor, até que me leves para casa, para viver na fonte da tua benevolência, onde toda a felicidade da eternidade consiste nos louvores a Deus e ao Cordeiro e no gozo da "benevolência daquele que habitava na sarça".