16 de Agosto
Eu sou morena, porém formosa
"Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém." — Cânticos 1.5
(Na tradução que o autor usava: "Eu sou negra, porém formosa".)
Vê, minha alma, se a tua experiência corresponde à da igreja. Aprendeste de Deus, o Espírito, o que és em ti mesma? Tens verdadeira consciência dos muitos pecados e corrupções que se escondem sob aparências bonitas; e de que, carregando contigo um corpo de pecado e de morte — como o apóstolo disse que carregava —, em ti, isto é, na tua carne, não habita bem algum? Pareces não só escura aos teus próprios olhos, mas és desprezada por amor de Cristo e tida como "a escória de todos" aos olhos do mundo?
Para, minha alma. Agora olha o lado luminoso. És formosa na justiça de Cristo, que ele pôs sobre ti? Formosa na doce graça santificadora do Espírito Santo que habita em ti? Formosa aos olhos de Deus Pai, por seres aceita em Jesus, o Amado? Formosa na comunhão da igreja, andando no temor de Deus e na consolação do Espírito Santo? O que dizes, minha alma, a estes testemunhos doces mas que sondam a alma?
Se podes agora tomar para ti a linguagem da igreja — "Eu sou morena, porém formosa" —, humilde aos teus próprios olhos, com aversão por ti mesma, desprezando-te, abominando-te, mas em Jesus te alegrando e na sua salvação triunfando o dia inteiro, pensa, minha alma, como será quando o Rei, em cuja formosura és formosa, te levar para casa, "como uma esposa ataviada para o seu marido", e fores achada então "sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante", mas eternamente santa e irrepreensível diante dele em amor.