16 de Abril
Ali puseram a Jesus
"Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus." — João 19.42
Minha alma, é costume que os parentes e amigos dos falecidos compareçam ao enterro. És tu amiga, parente de Jesus? Ah, sim; confio que és. Ele era, e é, o mais querido de todos os amigos, o mais próximo de todos os parentes. Ele é ao mesmo tempo todos e cada um: Pai, Esposo, Irmão. O convite, portanto, é enviado a ti, pessoalmente a ti. Toda voz de afeto te chama ao túmulo de Jesus, dizendo: "Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia." E, se, como Maria Madalena, por um amor mais abundante, perguntas "Onde o puseram?", a resposta vem imediatamente: "Vem e vê."
Sim, querido Redentor! Pela fé que me deste com tanta graça, irei e verei. Que a minha fé levante voo e pouse no jardim de José de Arimateia, e contemple o lugar onde o Senhor jazia. Foi este o lugar memorável? Jesus jazeu aqui? Foi aqui que ele, conforme a antiga profecia a seu respeito, "teve a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca"? Aqui quero olhar; aqui quero deixar a minha alma vaguear em contemplação.
Ah, que cena maravilhosa ver Jesus assim posto na sepultura! Certamente podemos clamar, como a igreja ao contemplá-lo: "O meu amado é branco e rosado." Nunca a morte triunfou assim antes. Nunca a sepultura recebeu e reteve um prisioneiro assim. Mas, minha alma, vê também nesta cena como Jesus triunfou até na morte. Foi "pela morte que aniquilou o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrou todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão".
E o que Jesus diz à minha alma desde a sepultura? "Não temas; tenho as chaves da morte e da sepultura. Não temas descer ao Egito da sepultura; eu irei contigo, e certamente te farei subir de lá outra vez." E observa, minha alma: assim como a sepultura não pôde reter como prisioneiro o teu Senhor, a tua Cabeça, também não pode reter, além do tempo marcado, nenhum dos seus membros. E, assim como a união entre a divindade e a humanidade em Jesus não foi rompida pela morte, também a união entre Jesus e o seu povo não pode ser interrompida pela morte. A aliança da redenção, a união de Jesus com o seu povo, o amor de Deus em Cristo pela alma e pelo corpo dos seus remidos — nada disso apodrece na sepultura. Mais ainda, onde o pecado foi tirado, a própria inimizade da sepultura foi morta; e, embora ela devore os nossos corpos corrompidos, também guarda a parte purificada, para que Jesus possa visitar o pó e as cinzas dos seus santos e mostrar sobre eles o seu cuidado, dia após dia.
Precioso Senhor, aqui, como em tudo, tu tens a preeminência. Foste adiante: perfumaste docemente a sepultura por teres jazido nela. E onde deveriam estar os membros que morrem senão onde a sua Cabeça viva esteve antes? Daqui, então, minha alma, tira consolo e não temas quando o teu companheiro, o corpo, for chamado a descer à sepultura. Quando a alma voar para Jesus no céu, o corpo descansará docemente em Jesus até ser chamado da sepultura. O teu Deus, o teu Jesus, tem determinada a tua partida; o lugar, o momento e o modo estão todos com ele. Ele tem as chaves tanto para abrir a porta da morte quanto para abrir o reino do céu. Deixa tudo, então, com ele.
Visita muitas vezes, pela fé, o seu sepulcro e vê onde o puseram. E, nos triunfos do teu Jesus como tua Cabeça, toma parte já, como membro do seu corpo, clamando com o apóstolo: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo."