17 de Julho
Vou preparar-vos lugar
"Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." — João 14.2-3
Como chegarei algum dia a compreender suficientemente o amor de Jesus? Muito menos: como chegarei algum dia a te amar e adorar suficientemente, modelo sem igual de amor excelente, bendito e precioso Jesus? Não bastava ter dado provas tão palpáveis do teu amor morrendo por pobres pecadores; tinhas também de lhes dizer, antes da tua partida, a razão pela qual ias embora, e dar-lhes ao mesmo tempo a certeza de que voltarias e os levarias contigo para a glória? Ah, ajuda-me, Senhor, a te amar, a viver para ti, a estar sempre à tua espera e a me alegrar com gozo inefável na promessa da tua vinda.
E, minha alma, enquanto tomas para ti toda a doçura destas preciosas palavras do teu Jesus, na perspectiva de que ele virá em breve te levar para si, que elas te deem também todo o seu consolo em qualquer providência que te tire amigos. Lamentarias se um rei da terra tivesse concebido tal amor por algum amigo teu que mandasse buscá-lo para elevá-lo a alguma alta dignidade, fazê-lo seu favorito e cobri-lo de honras? Considerando-se as comodidades terrenas, essa elevação de um amigo próximo e querido te afligiria, por não poderes vê-lo mais? Pelo contrário, não exaltarias muito a generosidade do príncipe — e mais ainda se os mensageiros que vieram buscar o teu amigo trouxessem a promessa de que, em breve, uma guarda real seria enviada para te levar também, para viveres com o teu amigo para sempre no palácio do rei, sob os olhos do rei, desfrutando ambos do favor real? Mas o que seria toda essa grandeza passageira, mortal, perecível e incerta comparada com o que Jesus promete nestas palavras benditas da manhã?
E já levou Jesus algum dos teus para a sua glória? Estão eles agora na fonte da bem-aventurança, e tu choras sobre os seus restos sem vida? Eleva, minha alma, os teus pensamentos da terra ao céu. Ouve a voz que diz: "Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor." Mantém a expectativa constante do teu próprio chamado. Anda como quem está à beira do mundo invisível. E, acima de tudo, vigia de tal modo as visitas diárias, de cada hora, de Jesus pela sua graça, e desfruta de tal modo a doce comunhão em espírito pela qual ele agora fala ao seu povo e o seu povo a ele, que, quando Jesus abrir a cortina do teu leito na morte e aparecer à tua vista arrebatada em toda a sua glória, possas deixar o corpo trêmulo e correr para os seus braços, exclamando: "Senhor meu, e Deus meu!"