18 de Julho
As raposinhas que fazem mal às vinhas
"Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor." — Cânticos 2.15
(Na tradução que o autor usava: "porque as nossas vinhas têm uvas tenras".)
Minha alma, repara na doçura e na ternura deste preceito. As raposas, sem dúvida, representam nesta passagem os pecados e as corrupções sutis, menos abertos, menos descobertos, que se escondem em nós como estes animais astutos, debaixo de uma cobertura — e talvez às vezes debaixo de uma cobertura bonita. Podem significar também mestres falsos, mas de boa aparência. "Os teus profetas, ó Israel", disse o Senhor, "são como raposas nos desertos": astutos, ardilosos, malignos e imundos. E, na proporção em que assumem uma aparência mais bonita e enganosa, mais devem ser temidos. Satanás nunca engana com mais astúcia, nem talvez com mais eficácia, do que quando "se transfigura em anjo de luz".
Além disso, o preceito é reforçado por esta consideração importante: as vinhas — pelas quais, sem dúvida, se entendem os crentes — têm uvas tenras. O que é mais tenro do que uma consciência fraca? E o que está mais sujeito a ser ferido do que os princípios tenros dos que começam agora uma vida de graça?
Minha alma, olha para Jesus, o Senhor da vinha, pedindo graça para estar alerta contra estes inimigos destruidores do teu bem-estar. E, consciente de que toda a tua vigilância, sem o olho vigilante dele sobre ti, nunca te protegeria de inimigos tão espertos e astutos, pede ao próprio Jesus que apanhe estas raposas por ti e as destrua diante dos teus olhos. Senhor, eu quero dizer: guarda-me de todo inimigo que faz mal no teu santuário, e conserva vivas e viçosas todas aquelas graças tenras do teu Espírito concedidas a mim, para que eu dê fruto para louvor do teu santo nome e floresça e me estenda "como o cedro no Líbano".