21 de Junho
Homens portentosos
"Tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos." — Zacarias 3.8
(Na tradução que o autor usava: "homens de quem se admiram".)
Homens de quem se admiram, de fato; e cada alma remida pode dizer com verdade: "Sou como um prodígio para muitos", um prodígio para mim mesmo. Ó tu, cujo nome é Maravilhoso! Tanto tu como os filhos que o Senhor te deu sois "por sinais e por maravilhas". Vê, minha alma, como isso se cumpriu naquele cujo nome era Maravilhoso, e então te espantarás menos de que se cumpra nos seus seguidores.
Quero contemplar a tua pessoa, bendito Jesus, e ver-te não só como alvo de admiração, mas desprezado e rejeitado pelos homens. O mundo te olhou fixamente, mas não viu em ti beleza nem formosura para te desejar. Também nos teus ofícios, como a multidão te desprezou como profeta, quando, vendando-te os olhos e ferindo a tua cabeça sagrada, gritavam com zombaria: "Profetiza, quem é que te feriu?" Como sacerdote, que blasfêmia disseram quando viram o bastante para se convencer e confessar que salvaste os outros, mas a ti mesmo não podias salvar! Como Rei, quando, tendo-te pregado no madeiro, exigiram uma prova do teu poder: que descesses da cruz.
E não foste, bendito Jesus, alvo de admiração na tua palavra, quando reconheceram: "Nunca homem algum falou assim como este homem"; e mesmo assim acusaram as tuas doutrinas de blasfêmia e te ridicularizaram por elas? Não foste o espanto e o ódio do mundo, quando os teus milagres os assombravam, mas eram atribuídos à ação de Belzebu? Não foste tu, imaculado Cordeiro de Deus, acusado de imoralidade e chamado de beberrão de vinho, violador do sábado, amigo de publicanos e pecadores?
Tratou o mundo assim a Jesus, e chamou de Belzebu o pai de família? Ah, então, minha alma, bem podem tratar assim os seus domésticos! E não tem de ser assim? Sim. "O mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele." Eles são feitos espetáculo, alvo de olhares, opróbrio, provérbio. Quão desconhecidos no seu novo nascimento de Deus, quão pouco compreendidos na sua união com Jesus, quão perfeitamente escondida do mundo a sua vida no Espírito! Que oposição eterna aos homens carnais são as suas buscas, os seus prazeres, a sua felicidade, a sua conversa, os seus desejos — quão admirada a sua vida de fé no Filho de Deus! Eles têm uma comida para comer que o mundo não conhece, pois se alimentam da pessoa, do corpo, do sangue, da graça e da justiça do Senhor Jesus Cristo.
Minha alma, tens esta raridade de caráter? Tens esta bendita singularidade? És alvo de espanto porque não corres com eles "no mesmo desenfreamento de dissolução", mas és irrepreensível e sincera entre os filhos de Deus, "no meio de uma geração corrompida e perversa"? Ah, bendito, para sempre bendito seja o nome daquele que te chamou a esta alta, gloriosa e distinta honra de ser alvo de espanto e opróbrio por amor de Jesus! Sim, Senhor, não farei caso do opróbrio dos homens, nem me perturbarei com as suas injúrias, "porque a traça os roerá como a roupa, e o bicho os comerá como a lã; mas a minha justiça durará para sempre, e a minha salvação de geração em geração".