22 de Junho
Um cacho de uvas do vale de Escol
"Depois foram até ao vale de Escol, e dali cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas." — Números 13.23
Não era este único cacho o penhor de Deus ao povo da posse certa da terra onde cresciam aqueles frutos deliciosos? E não eram o tamanho e o peso deste único ramo uma amostra de quão plenas e abundantes seriam todas as bênçãos, tanto da aliança como da terra prometida, quando o povo de Deus tomasse posse dela?
Minha alma, não vês nele, então, uma preciosa representação de Jesus — esse único ramo — e de todo aquele cacho de bênçãos que há nele? Bem podia a igreja exclamar a respeito do Redentor: "Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado." Pois, seja essa hena (no hebraico, kofer) a vinha de Chipre, seja o fruto da palmeira, em qualquer dos casos, ou em ambos, as virtudes das suas incontáveis excelências — que fortalecem, alegram e curam a alma — podem muito bem ser representadas pela bela figura do cacho de uvas do vale de Escol.
Sim, querido Senhor, tu te dignaste a comparar-te à videira; e para o teu povo és de fato um cacho de tudo o que é amável, doce, gracioso e querido. Em ti habita, como as bagas do cacho mais rico, "corporalmente toda a plenitude da divindade". Em ti se encontra toda a pureza, a santidade, a inocência e a perfeição da natureza humana, como Deus manifestado em carne. Em ti, como Deus-homem Mediador, vemos o cacho de todas as graças espirituais, de todas as bênçãos espirituais, temporais e eternas, de todas as promessas divinas — tudo, tudo está em ti, para distribuíres ao teu povo. E não há misericórdia de que o teu povo possa precisar, de graça aqui ou de glória depois, que não esteja guardada em ti, numa plenitude perfeitamente inesgotável.
Precioso Jesus, reaviva o meu espírito neste dia com esta visão de ti. Faze-me ver, quando a minha alma desejar "os figos temporãos", que tu mesmo és tudo de que a minha alma pode precisar. Leva-me ao vale de Escol, e ali que os meus olhos, o meu coração, toda a minha alma, corpo e espírito se banqueteiem na contemplação e no gozo da tua pessoa, das tuas graças, dos teus dons e da tua plenitude; até que, na plena satisfação que a minha alma encontra em ser eternamente cheia da tua bondade, eu exclame com a igreja: o meu amado é para mim como o mais rico de todos os ramalhetes de hena nas vinhas de En-Gedi.