23 de Março
Uma eterna redenção
"Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção." — Hebreus 9.12
Pondera, minha alma, estas expressões solenes a respeito do teu Jesus. Repara no seu vasto conteúdo. Jesus, como profeta, revelou a sua salvação; como sacerdote, só ele a conquistou e a ofereceu a Deus, o Pai; e, como Rei, vive e reina para sempre para ver a sua eficácia plenamente realizada em todos os seus remidos, tornados participantes dela. Vê nisto, no seu ofício sacerdotal, como sumo sacerdote e como sacrifício, o que ele operou e o que realizou: nada menos que uma redenção eterna.
Repara, minha alma, nos vários volumes de misericórdia que ela contém. Primeiro, a revolta do homem contra Deus. Segundo, a ruptura mortal causada por ela. Terceiro, a proclamação do céu do propósito firme de Deus de castigar o pecado. Quarto, a incapacidade total do homem de aplacar a ira divina, seja fazendo, seja sofrendo. Quinto, a graça divina, no amor do Pai, permitindo um substituto capaz de realizar este grande ato de salvação pelos homens, e designando e constituindo para isso ninguém menos que o seu amado Filho. Sexto, Jesus, o Filho de Deus, entregando-se voluntariamente como oferta e sacrifício pelo pecado e, por essa única oferta de si mesmo, feita uma vez para sempre, aperfeiçoando os que são santificados. Sétimo, tendo cumprido assim o propósito da salvação na terra, Jesus agora, pelo seu próprio sangue, entrou no santuário, para tornar tudo eficaz pelo exercício do seu ofício sacerdotal no céu. E, por fim, para não acrescentar mais, Deus aceitando e confirmando a sua perfeita aprovação de tudo, e agora proclamando paz na terra, boa vontade para com os homens.
Pondera nestes assuntos grandiosos, gloriosos e importantíssimos, minha alma, hoje. Leva-os contigo aonde quer que fores; guarda-os no teu peito; escreve-os nas tábuas do teu coração; que se levantem contigo e se deitem contigo. E, em todas as tuas aproximações do propiciatório, contempla aquele — e que ele nunca se perca de vista aos olhos da fé — por quem tudo foi feito e de quem fala este doce texto: aquele que, "por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção".