← Voltar
RH

31 de Março

Desejo de partir e estar com Cristo

Robert Hawker·Porções da Manhã e da Noite
Porção da manhã

"Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor." — Filipenses 1.23

Minha alma, espero que não tenhas deixado de lado os pensamentos solenes que o texto de ontem abriu diante de ti. Certamente, desde aquela manhã, tiveste ocasiões de sobra para sentir a sua verdade. O pecado não só está presente contigo o tempo todo, como está em ti, tão inseparável da tua parte não renovada quanto a sombra do corpo. Sabes disso, sentes isso, gemes sob isso; e a consciência disso basta, por si só, para te fazer andar humilde todos os teus dias. Todas as outras aflições não são nada comparadas a esta aflição: esta, como o oceano comparado aos rios, supera e engole todas.

É de fato um pensamento que sustenta a alma (e, bendito seja Deus, sentes a sua doçura) que, sob tudo e em tudo, Jesus é a tua esperança. E, enquanto o pecado está sempre presente contigo, Jesus, o teu Advogado e a tua propiciação, está presente por ti diante do Pai. Mas, embora nele e na sua justiça estejas aceita e segura, a consideração de quanto as tuas faltas e transgressões diárias desonram a Deus e te privam de consolo aqui é motivo suficiente para fazer os teus olhos correrem em águas e o teu coração chorar continuamente diante do propiciatório.

E essas coisas serão sempre as mesmas enquanto carregares este corpo de pecado? Será esta tua parte perecível sempre tão contrária aos desejos doces e graciosos da alma? Nunca, nunca desfrutarei de Jesus de verdade e sem interrupção até que o corpo se desfaça e o pó volte à terra de onde aquela parte da minha natureza foi tirada?

Para, minha alma, e dize: não tens, então, desejo de partir e estar com Cristo? Não se torna a sepultura, por este ângulo, não só suportável, mas até desejável — mais ainda, agradável? O quê? Nunca estarei totalmente livre do pecado até estar totalmente livre do corpo? Nunca terei certeza de um doce gozo com Jesus nas ordenanças, no retiro, na oração e no louvor até que eu deixe este corpo de pecado? E não te separarias de bom grado, minha alma, de um companheiro assim, por mais próximo e querido que seja, se este companheiro, no seu estado atual, te rouba de modo tão terrível as tuas alegrias mais preciosas?

É verdade que a morte, em si mesma, não é desejável. Mas, se só morrendo podes desfrutar de Jesus; se só morrendo este corpo perderá as suas corrupções; se a sepultura tem uma ordem do teu Jesus para destruir apenas aquela parte do teu corpo que é corrompida e, ao mesmo tempo, guardar aquela parte que Jesus ressuscitará para a glória no último dia; se Jesus te garantiu que, embora os vermes destruam a tua parte corrompida, os teus olhos — os teus próprios olhos do corpo —, quando ressuscitados por Jesus num corpo glorificado, verão a Deus; e se o teu corpo, assim ressuscitado e reanimado, estará então não só totalmente livre de toda corrupção, mas tão disposto quanto a alma a louvar o teu Deus e Salvador para todo o sempre, e alma e corpo se unirão como amigos queridos neste serviço bendito — então, minha alma, de agora em diante nunca mais olhes para a morte senão como uma amiga bondosa. É morrer para o pecado; mas é viver para Jesus. É estar morta para tudo menos para Jesus, para que Jesus seja tudo na vida para sempre. Ah, quem me dera este desejo de partir e estar com Cristo!

Hoje